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Vamos falar sobre chupetas?

    Chupetas, semeadoras da discórdia no seio de tantas famílias, amigas leais em algumas das horas difíceis com os pequenos e, no entanto, subtilmente causadoras de tantos danos. Afinal, o que faz da “chupeta” um tema tão controverso?

    Sabemos, do senso comum, que a chupeta é o nosso maior aliado na hora de tranquilizar o bebé, isto porque, já dentro do ventre materno, existe o chamado “reflexo de sucção”, utilizado como forma de autocontrolo, autorregulação e, portanto, gerador de conforto. Caso os pais decidam utilizar a chupeta com o seu bebé deverão, não só tentar fazer uma escolha consciente em termos das suas características, de forma a minorar o impacto da mesma nas funções orais, como também monitorizar a sua utilização, procurando reduzir gradualmente os momentos em eu é utilizada.

    A chupeta constitui então uma fonte de segurança e de conforto nos primeiros anos de vida da criança. No entanto, quando a sua utilização é prolongada, pode provocar alterações musculares (língua ou lábios com pouca força muscular e em posição alterada), além de sérias deformações na arcada dentária, influenciando funções como a mastigação, a deglutição ou a articulação de alguns sons. Convém esclarecer que todas estas alterações estarão dependentes da duração e frequência de utilização da chupeta ou da intensidade realizada durante a sucção (sucção mais ou menos vigorosa).

    Quem nunca ouviu falar nos chamados “sopinhas de massa”? Muitas das vezes, esta peculiar forma de articular alguns dos sons está associada a este tipo de deformações na arcada dentária, causadas pela chupeta.

    Tendo em conta que a utilização da chupeta constitui uma atividade de autocontrolo que organiza e tranquiliza a criança, deixar a chupeta pode tornar-se um momento difícil que pode despoletar na criança tristeza, agitação, ansiedade, medos e dificuldades em adormecer.

Para que o desmame seja feito de uma forma mais tranquila, existem algumas estratégias que poderão ser úteis para ajudar as crianças:

Poderá estabelecer-se, em conjunto com a criança, uma data para deixar a chupeta, começando a preparar esse momento progressivamente;

Poderá distrair-se a criança sempre que esta solicite a chupeta (ex.: ler uma história, conversar com a criança ou brincar);

Criar em redor da criança um clima e sentimento de segurança, sobretudo na hora de dormir, demonstrando que não há perigo nenhum e que tudo vai ficar bem.

    O processo de desmame da chupeta não deve ser realizado repentinamente e os pais não deverão adotar métodos drásticos (ex.: colocar substâncias amargas na chupeta) nem atitudes penalizadoras, de modo a não criar insegurança na criança. É ainda importante evitar comentários negativos ou o recurso à infantilização.

    O mais importante, durante o desafio de deixar a chupeta, é que os pais transmitam à criança a confiança e a segurança de que ela necessita.

Soraia Vicente

Terapeuta da Fala

Carina Oliveira

Psicóloga Clínica