Elas vieram para ficar e, com elas, vieram também alguns efeitos adversos no desenvolvimento linguístico, sobretudo nos primeiros anos de vida da criança. Vejamos em pormenor como é que este impacto se materializa.
Toda a aprendizagem do ser humano é de carácter multimodal, o desenvolvimento linguístico não é exceção. Também a perceção da fala é realizada desta forma, ou seja, a criança integra a informação de todas as fontes disponíveis no momento de input (visual, auditivo, tátil, etc.) de forma a construir representações acerca de algo.
Significa que, no momento em que articulamos palavras, a criança não só se irá focar na informação auditiva contida nesse estímulo (cadeia de fonemas/sons que são interpretados pelo córtex auditivo), como irá atentar na forma como os nossos articuladores (lábios, língua ou dentes) se organizam para a produção dessa mesma cadeia sonora.
Além disso, e para termos concreta noção de como todo este processo que nos parece simples é, na verdade, altamente complexo, a criança ainda conseguirá inferir o contexto pragmático em que tais informações são proferidas com base em toda a nossa expressão facial (e.g. se estamos a dizê-lo de forma sorridente ou se temos um semblante mais carregado) e apoiando-se ainda em aspetos suprassegmentais da fala (e.g. entoação que damos às palavras ou a velocidade com que o fazemos).
Toda a aprendizagem do ser humano é de carácter multimodal, o desenvolvimento linguístico não é exceção. Também a perceção da fala é realizada desta forma, ou seja, a criança integra a informação de todas as fontes disponíveis no momento de input (visual, auditivo, tátil, etc.) de forma a construir representações acerca de algo.
Com isto fica claro que, no momento de utilização da máscara, parte destas informações são vedadas, podendo originar informações ambíguas para a criança em situações de aprendizagem linguística e/ou comunicativa.
Existem pequenas estratégias que, ao serem utilizadas pelos pais, poderão reduzir este impacto no desenvolvimento da linguagem:
Crie, na rotina de casa, o máximo de oportunidades para que a criança possa comunicar/interagir;
Fale de uma forma clara, pausada e preferencialmente bem posicionado em relação à criança, de frente para a mesma, não muito distanciado e colocando-se SEMPRE ao nível dos seus olhos;
Exagere na articulação de palavras! Trata-se de uma estratégia chamada “sobrearticulação” que os Terapeutas da Fala utilizam frequentemente na sua prática clínica;
Utilizar batom com cores fortes e apelativas pode ser um estímulo visual muito interessante ao qual recorrer. A ideia será que a criança foque a sua atenção na forma como os lábios se mexem reforçando os movimentos necessários na articulação de alguns sons da fala;
Exagere também na expressão facial e/ou corporal que acompanha o discurso oral verbal. A ideia é mesmo a de ser teatral e permitir que a criança possa retirar o máximo de pistas no momento de estimulação linguística.
Boas aprendizagens por casa!
Soraia Vicente
Terapeuta da fala